Meu azedume me pesa cada vez mais. Assistam esse vídeo, ou pelo menos passem as cenas rapidamente. É pornô. Mas o que eu quero mostrar é como ele simboliza gays e héteros para mim. Sei que é exagero, que pode não ser verdade, ou tão verdade, mas uma impressão recorrente. Giovanni é um garoto hétero que aceita uns trocados para transar com um gay. Então Giovanni é bonito, gostosinho, bem interessante. E quem é o gay? Uma bichinha feia e uó. Foi sempre assim. Percebem que até no Big Brother as bichas que aparecem são feias e caricatas? E que o hétero continua ali, belo e intocável? Os pornôs repetem isso. Grandes astros posam com suas namoradas por aí, tentam tanto convencer que, por vezes, até conseguem. Essa visão é um mal meu ou da humanidade, ou é "apenas" fatalidade?
Segunda-feira, Dezembro 07, 2009
Domingo, Novembro 15, 2009
Inverno
Longos dias de sol de boa parte da minha infância passei em casa, dentro, trancafiado, e só. Um fenômeno que a pouca sensibilidade de meus pais nunca conseguiu entender. E parece que esses dias voltaram, se um dia deixei de vivê-los.
Hoje foi um dia longo, quente, e solitário. Não tinha pra onde olhar, pra onde ir e, o mais importante, com quem. Criança eu fui muito egoísta, agressivo, impaciente, frio, e sobretudo tímido e introspectivo. Vivi calado o tempo todo. À sombra na escola, na rua, na família, na vida toda. Vítima do que hoje ganha a alcunha de bullying, e da fragilidade emocional de meus pais, de meus irmãos, vítima talvez, e mais do que tudo, de mim mesmo. Da minha vilania comigo e com os outros. Da crônica solidão desses dias longos e quentes, e da minha incapacidade de revertê-la. Devo ser essa criança ainda.
Adulto, além das amizades, aparecem os amores, outro problema. Reciprocidades que não acontecem, nem de lá nem de cá. Talvez não seja pecado querer escolher os amigos, os amantes, mas às vezes me parece que este é meu maior pecado. Porque às vezes não me atinge quem aparece, só quem não aparece nunca. E continuo meus dias longos e quentes e solitários, a talvez me ensinar que minha natureza é esta e que preciso desbravar o mundo tão somente acompanhado de minha solidão. Quem sabe assim eu me sinta melhor, me conheça melhor, quem sabe só daí aparece o que eu tanto gostaria que aparecesse. Um amigo, quem sabe. Um amor, talvez.
Antes eu era sozinho, hoje me tornei assim. Como diz a música: "o destino sempre me quis só".
Sábado, Outubro 31, 2009
Puta?
São Bernando do Campo nem é o fim do mundo. Não é um pedaço de mato perdido, esquecido da civilização. O homem branco, intelectualizado, já chegou lá. É bem provável que Bob Marley, Madonna, Caetano, o Punk, Elvis, todo o Rock'n'Roll, e até a Tati Quebra-barraco também. Então... qual foi mesmo o problema?
Universitários a ponto de linchar uma moça porque ela está de saia curta? É isso mesmo? Universitários? U-NI-VER-SI-TÁ-RI-OS?
Bando de merda. Gente medíocre. Podiam atear fogo naquilo, que de lá não sai mais nada.
Universitários a ponto de linchar uma moça porque ela está de saia curta? É isso mesmo? Universitários? U-NI-VER-SI-TÁ-RI-OS?
Bando de merda. Gente medíocre. Podiam atear fogo naquilo, que de lá não sai mais nada.
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
"Quando os pais apanham"
O que já foi considerado absurdo tem se tornado uma cena cada vez mais corriqueira. Diante de uma recusa ou de uma frustração, a criança parte para a agressão física. Elas atiram objetos, mordem, chutam e dão tapas e socos nos próprios pais - que, na maioria dos casos, perdem completamente o controle da situação.
Segundo a psicanalista Silvana Rabello, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a reação exagerada é uma resposta à falta de limites. "Os padrões modernos de educação fazem com que os pais se sintam culpados por fazer restrições às crianças, tão preocupados que estão em serem gentis e amados", diz.
Para a psicóloga Leila Tardivo, professora da USP (Universidade de São Paulo), embora faltem estudos sobre o fenômeno, trata-se de algo recente. "Está relacionado à liberalidade na educação e a uma maior aproximação entre pais e filhos. Mas não é porque a criança é pequena que não faz mal." Segundo ela, o fato de as crianças não aceitarem as poucas vezes em que são contrariadas ajuda a explicar as atitudes.
A psicóloga Ceres Alves de Araújo, também da PUC-SP, acredita que estamos diante de uma geração de crianças superpoderosas, que não aceitam a autoridade dos pais, inseridas em uma sociedade que substituiu o patriarcado pelo "filiacardo". "Elas mandam na casa e os pais obedecem. São pequenos "tiranos" que querem impor seus desejos", afirma.
Isso, para ela, é consequência de uma educação que, de extremamente autoritária, passou a extremamente liberal. O resultado é a formação de um adulto frágil, que não aprendeu a obedecer e a fazer a mediação entre suas necessidades e as alheias. Rabello observa que não é incomum que os pais "achem bonitinho" uma criança de três anos dar tapas, já que nem sempre veem isso como uma atitude agressiva. Mas, depois que essa criança cresce, encontram dificuldades para impor limites. "Geralmente, o problema incomoda mais quem está ao redor do que os pais", diz.
Sem saber como reagir, os pais acabam fazendo o gosto do filho e, com isso, alimentam a situação. As crianças entendem que, com esse tipo de comportamento - que, além de bater, inclui gritar e ter acessos de raiva-, vão conseguir o que querem e passam a controlar e a chantagear os pais dessa forma.
Assim, fica estabelecido um padrão de comunicação difícil de reverter com o tempo.
Segundo Leila Tardivo, outra razão para esse tipo de comportamento pode ser o mau exemplo que os filhos recebem. "Não é para bater na criança, violência só gera violência. Se for preciso, os pais podem impor alguma limitação."
Para Rabello, é importante que os pais estabeleçam regras e limites claros, que não sejam flutuantes, e que exijam que a criança os respeite. As regras devem ser sempre explicadas, para que a criança compreenda o que é aceitável e o que não é. Nos momentos de crise, quando a criança começa a bater, Tardivo aconselha limitar os movimentos dela e explicar que bater é inaceitável. "Seria absurdo revidar", diz.
Às vezes, o adulto perde o controle e reage sendo igualmente agressivo. Nesses casos, Rabello recomenda que, em vez de pedir desculpas, os pais expliquem que a reação é inadequada e digam por que foram levados aquele extremo.
Em geral, a mudança de atitude dos pais melhora o comportamento dos filhos. Mas, se eles não sabem lidar com a situação e o comportamento passa a atrapalhar a rotina e causar sofrimento, é hora de buscar ajuda de um psicólogo.
Os especialistas acreditam que, se esse comportamento não for contido, pode se prolongar para além da infância. Um relatório do Ministério Público espanhol, publicado no ano passado, revelou um aumento preocupante dos adolescentes, de todas as classes sociais, que batem nos pais. "Desde os três meses de idade a criança precisa ter limites. Na adolescência, o diálogo deve ser permanente, mas na infância os pais têm que ter postura firme e coerente. É isso que possibilita, inclusive, que a criança se sinta segura e protegida", diz Ceres Araújo.
Fonte: Folha Equilíbrio
***
Li esse texto hoje e pensei que ele pode ser relacionado também ao ambiente escolar. Tenho uma péssima visão da escola e vejo que a tal liberalidade, o tal medo de cometer os erros de educações passadas, épocas de palmatórias e tudo o mais, simplesmente afrouxou a autoridade dos educadores. Não trabalho numa escola, mas num ambiente que também se preocupa com educação, e tenho muitas vezes de ouvir o lenga-lenga de reles licenciados sobre o que seria a pedagogia adequada para um bando de adolescentes e crianças mal educados, gente que banaliza o respeito e a autoridade do outro sabendo exatamente o que faz e sem nenhum medo de ser punido. Existem "educadores" que não acreditam na punição e ironizam a mazela relatada por aqueles que, de fato, convivem com esse público. Sim, porque tais educadores pensam a educação, mas não a praticam. Acho até que os jovens buscam por autoridade, e estão como estão porque não a encontram. Ninguém quer um pai malandro, ou um professor "truta", todos precisam encontrar no outro uma autoridade que os faça se sentir seguros. Que os guie, os oriente e, por que não?, os puna. Acredito na rigidez com moderação. Visitar pedagogias antigas com um olhar moderno, usufruindo do que é possível hoje, sem agressões físicas ou psicológicas. Mas longe de apenas uma "conversinha". A criança e o jovem sabem quando estão errados muitas das vezes, não é preciso dizer isso. Eles mesmo dizem, "não estão a fim de ideia".
Segundo a psicanalista Silvana Rabello, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a reação exagerada é uma resposta à falta de limites. "Os padrões modernos de educação fazem com que os pais se sintam culpados por fazer restrições às crianças, tão preocupados que estão em serem gentis e amados", diz.
Para a psicóloga Leila Tardivo, professora da USP (Universidade de São Paulo), embora faltem estudos sobre o fenômeno, trata-se de algo recente. "Está relacionado à liberalidade na educação e a uma maior aproximação entre pais e filhos. Mas não é porque a criança é pequena que não faz mal." Segundo ela, o fato de as crianças não aceitarem as poucas vezes em que são contrariadas ajuda a explicar as atitudes.
A psicóloga Ceres Alves de Araújo, também da PUC-SP, acredita que estamos diante de uma geração de crianças superpoderosas, que não aceitam a autoridade dos pais, inseridas em uma sociedade que substituiu o patriarcado pelo "filiacardo". "Elas mandam na casa e os pais obedecem. São pequenos "tiranos" que querem impor seus desejos", afirma.
Isso, para ela, é consequência de uma educação que, de extremamente autoritária, passou a extremamente liberal. O resultado é a formação de um adulto frágil, que não aprendeu a obedecer e a fazer a mediação entre suas necessidades e as alheias. Rabello observa que não é incomum que os pais "achem bonitinho" uma criança de três anos dar tapas, já que nem sempre veem isso como uma atitude agressiva. Mas, depois que essa criança cresce, encontram dificuldades para impor limites. "Geralmente, o problema incomoda mais quem está ao redor do que os pais", diz.
Sem saber como reagir, os pais acabam fazendo o gosto do filho e, com isso, alimentam a situação. As crianças entendem que, com esse tipo de comportamento - que, além de bater, inclui gritar e ter acessos de raiva-, vão conseguir o que querem e passam a controlar e a chantagear os pais dessa forma.
Assim, fica estabelecido um padrão de comunicação difícil de reverter com o tempo.
Segundo Leila Tardivo, outra razão para esse tipo de comportamento pode ser o mau exemplo que os filhos recebem. "Não é para bater na criança, violência só gera violência. Se for preciso, os pais podem impor alguma limitação."
Para Rabello, é importante que os pais estabeleçam regras e limites claros, que não sejam flutuantes, e que exijam que a criança os respeite. As regras devem ser sempre explicadas, para que a criança compreenda o que é aceitável e o que não é. Nos momentos de crise, quando a criança começa a bater, Tardivo aconselha limitar os movimentos dela e explicar que bater é inaceitável. "Seria absurdo revidar", diz.
Às vezes, o adulto perde o controle e reage sendo igualmente agressivo. Nesses casos, Rabello recomenda que, em vez de pedir desculpas, os pais expliquem que a reação é inadequada e digam por que foram levados aquele extremo.
Em geral, a mudança de atitude dos pais melhora o comportamento dos filhos. Mas, se eles não sabem lidar com a situação e o comportamento passa a atrapalhar a rotina e causar sofrimento, é hora de buscar ajuda de um psicólogo.
Os especialistas acreditam que, se esse comportamento não for contido, pode se prolongar para além da infância. Um relatório do Ministério Público espanhol, publicado no ano passado, revelou um aumento preocupante dos adolescentes, de todas as classes sociais, que batem nos pais. "Desde os três meses de idade a criança precisa ter limites. Na adolescência, o diálogo deve ser permanente, mas na infância os pais têm que ter postura firme e coerente. É isso que possibilita, inclusive, que a criança se sinta segura e protegida", diz Ceres Araújo.
Fonte: Folha Equilíbrio
***
Li esse texto hoje e pensei que ele pode ser relacionado também ao ambiente escolar. Tenho uma péssima visão da escola e vejo que a tal liberalidade, o tal medo de cometer os erros de educações passadas, épocas de palmatórias e tudo o mais, simplesmente afrouxou a autoridade dos educadores. Não trabalho numa escola, mas num ambiente que também se preocupa com educação, e tenho muitas vezes de ouvir o lenga-lenga de reles licenciados sobre o que seria a pedagogia adequada para um bando de adolescentes e crianças mal educados, gente que banaliza o respeito e a autoridade do outro sabendo exatamente o que faz e sem nenhum medo de ser punido. Existem "educadores" que não acreditam na punição e ironizam a mazela relatada por aqueles que, de fato, convivem com esse público. Sim, porque tais educadores pensam a educação, mas não a praticam. Acho até que os jovens buscam por autoridade, e estão como estão porque não a encontram. Ninguém quer um pai malandro, ou um professor "truta", todos precisam encontrar no outro uma autoridade que os faça se sentir seguros. Que os guie, os oriente e, por que não?, os puna. Acredito na rigidez com moderação. Visitar pedagogias antigas com um olhar moderno, usufruindo do que é possível hoje, sem agressões físicas ou psicológicas. Mas longe de apenas uma "conversinha". A criança e o jovem sabem quando estão errados muitas das vezes, não é preciso dizer isso. Eles mesmo dizem, "não estão a fim de ideia".
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Fafá
Antes que este blog acabe – sim, porque isto deve acontecer –, e enquanto eu não crio coragem de fazer isso, de bobeira coloco aqui dois vídeos. Sem mais nem por quê. São da Fafá, voz carregada de maturidade, de sensualidade e drama. Nesses raros momentos em que uma canção enfim encontra a sua voz. No caso de Fafá, de carreira tão irregular, um tanto equivocada, foram duas canções que vieram a seu encontro. "Sob Medida", do Chico, e "Desabafo", do Roberto. Estas duas canções SÃO dela e ninguém tasca!
Desabafo
Sob Medida
Sábado, Setembro 26, 2009
Chapolin
Ele escreve errado, fala errado, é órfão. Tem 17 anos. Mora num lar com nome de santo e visita esporadicamente o meu ambiente de trabalho. Tive contato com ele pela primeira vez ontem, quando me chamou para ajudá-lo a criar uma comunidade no orkut. Nem sei se já o tinha visto antes... Hoje, passei um bom bocado de tempo o auxiliando a criar um blog, para poder publicar suas “letras de música”. Suas dúvidas eram básicas, rasteiras, um analfabeto digital. Dava pra perceber que talvez lhe faltassem alguns dentes, mas seus lábios insinuavam um beijo bom. Difícil foi enxergá-lo por inteiro, seus olhos escondidos debaixo de um boné não muito amigável. Eu também percebi, ou achei perceber, algo de errado com seu cabelo, parte de trás, acima da nuca. Parecia pouco, falho, talvez ele estivesse machucado. Suas mãos também não eram tão bonitas, mas eu vi os seus olhos. Sim, eu consegui. E eles já tinham idade de me conquistar. Sua simplicidade ingênua, sua fragilidade simpática, seu modo de falar meio manso, meio brusco, sua quase vulgaridade, sua disponibilidade de aprender, algo nele, ou ele inteiro, me fez quase não desistir de um outrora possível futuro de educador. E me fez pensar o quanto eu, sendo tudo ou o nada que sou, me apaixonaria e viveria com um homem como ele, sendo tudo ou o nada que ele é. Não sei se homem ou menino. Sei apenas que disporia ainda de algumas horas a lhe dedicar toda atenção e lhe ensinar o que quisesse ou nem imaginasse querer.
Sexta-feira, Setembro 18, 2009
Assinar:
Postagens (Atom)