É assim: antigamente este blogger não tinha lá muitos recursos, como um sistema de comentários. Para tanto, era preciso pegar um sistema de fora e “instalá-lo” no blog. Eu escolhi um sistema da globo, bobagem minha, mas uma indicação que na época me pareceu útil. Utilizei esse sistema por anos, até que resolvi repaginar esse local, dar uma cor, uma cara nova. Teve um preço: o novo modelo não aceitava a migração do sistema de comentários antigo, aí tudo foi zerado. Por um breve tempo tive acesso aos comentários, até pensei em salvá-los num arquivo, organizando-os por data, por postagem, até pensei em pagar algum adolescente necessitado e bonitinho pra fazer isso pra mim, mas não fiz, e agora a globo.com suspendeu as antigas contas gratuitas e talvez meus comentários tenham se perdido pra sempre no ciberespaço. Não sei se, se eu tivesse uma assinatura, poderia resgatá-los, mas, por hora, perdi. Perdi, sim. Acabou.
Uma pena. O passado deste blog é como um álbum de fotografias, e mesmo que eu o encerre, gostaria de tê-lo como lembrança. São memórias, algumas toscas, outras profundas, mas memórias de toda a tolice e riqueza que fui e sou. Minha escrita pobre, ora bonita, minhas opiniões bobas, ora certeiras, e os relatos que são. Houve conversas aqui, e eu adorava as conversas, adorava me sentir lido, entendido e até admirado. Escrever era uma necessidade, e o passado, de um adolescente ainda adolescente mesmo após os vinte.
É incrível que daqui eu tenha conhecido amigos, amantes e quase um namorado. Talvez eu precise explicitar como foi agradável e ainda é ter conhecido Valter, Valéria, João, Luís, outros que não chegam tão perto, outros que vêm de longe. De Minas, João Pessoa, Brasília, que aproveitavam a vinda a São Paulo para me conhecer. E até os apenas virtuais, o mocinho parente da Sophie Ellis-bextor, o argentino que se ofendeu com o meu “latino”, o padre que veio me aporrinhar por causa do Papa, Guilherme, que sumiu, e outros, alguns outros, efêmeros como parte de um poema da Cecília Meireles. Não posso me esquecer dos amigos “reais” e “pré-blog”, que mesmo longe, ainda passaram aqui vez em quando, e dos que surgem de súbito, dizendo que me procuraram na Loca. Você está certo, eu não vou mais lá, mas é incrível que eu ainda seja vinculado àquele lugar. Faz parte de mim, sim. Obrigado por me ajudarem a manter o blog e a acreditar que o que escrevo tem valor.
Mas é passado. A minha escrita é cada vez mais esporádica, os comentários também. E não posso mais fuçar os arquivos explorando plenamente a memória, porque a conversa faz parte dela. O que me desanima. Além da minha preguiça de viver, ou ao menos de viver pra fora. Tenho um texto aqui incompleto, e o planejava parte de três textos, todos sobre a minha ínfima experiência profissional. Poemas e contos são raros também. E acho tudo muito pobre... Acordar tem sido uma luta, mas tenho desejos de arrumar a casa, enfeitar a estante, comprar roupas, mudar o penteado, tentar me dedicar mais à academia, descobrir as origens da minha família, fazer amizade com os jovens com quem convivo. Domingo um menino de quinze anos me acompanhou até em casa – ele tem uma barriguinha linda! Tenho vontade de ganhar dinheiro, comprar parafernálias, caixas bonitas pra guardar coisas velhas, de um dia ter um carro, quem sabe uma casa. Mas estou vivendo o que deveria ter vivido há uns três, seis anos, me sinto sem tempo, fracassado. Comecei uma análise, mas não curti muito, tudo tão clichê, então eu tenho medo de ser como meu pai?, eu tenho medo é de ser fraco, ruim, arrogante, mimado, tenho medo do meu caráter. Talvez eu pare, é bem possível. Quero começar a nadar, voltar a estudar alguma coisa, quero ver se enfim aproveito minha saudosa manhã, sem que pra isso eu me sinta tão exausto.
Mas vim aqui para dizer que tudo o que conversamos, o que veio daí pra cá, está guardado, é parte da memória, mas talvez eu não consiga mais visualizar com tanta nitidez. É uma pena, mas tudo tem de ter um fim, não é?
Aviso ainda que os comentários agora são moderados. Não vou mais tolerar ofensas e deboches ao que me é íntimo. Depois de seis anos, tenho esse direito.